O tempo é perene e irreparável!

Mais um ano se passando, estamos em 2019, em uma noite nublada, Maria Luiza, escritora e pintura trata o tempo como um complexo de mudanças radicais e consequências históricas. Não é fácil viver com 79 anos. Luiza amava contar histórias para seus netos, histórias de seu passado, aquele passado repleto de mudanças e diferenças, mas, seus netos estavam longe de seus abraços e vibrações sonoras que saiam de sua boca por sua língua. Luiza pensou e decidiu escrever um texto narrativo naquela noite, logo pegou seus materiais e colocou sua mente para funcionar, naquele momento ela desafiava seus sentidos cognitivos e os transformavam em registros históricos.

Com papel e uma caneta pico de pena, Luiza sabia que o que fazia tão bem, virou descostume e falta de prática, ela, com força de vontade começou aquele texto dando ênfase ao tema “ As mudanças no tempo acarretam mudanças no espaço e na sociedade”, detalhando com afirmação que nos 80’s uma garota sonhadora jamais imaginaria prédios, celulares e afins, que o mundo mudou com o tempo, e que essas mudanças levou consigo o espaço, e o meio em que ela vivia também mudou.

Enquanto sentia sua caneta fazer peso em seus sensitivos dedos rugados, ao mesmo tempo, sentia cérebro formigar ao pensar que em poucas décadas presenciou mudanças sinistras na engenharia, na sociedade e na economia, descrevia ela que naquela época, as pessoas se comunicavam melhor, mas fez questão de saudar a globalização que a proporcionou uma chamada de vídeo com sua neta que está fazendo intercâmbio na Alemanha, ressaltou que a tecnologia avança nesse sentido, que ela quando aproximou, distanciou, que avançou, mas dia a pós dia encurta a vida humana na terra, deixou claro os benefícios quanto malefícios, destacando que nem tudo que muda, nos fortalece, que nem tudo que repele, afasta.

Luiza parecia empolgada na frente de um papel escrevendo sem nem ver as horas daquele bem dito relógio passar, escrevendo com gosto, retornando ao seu ponto de equilíbrio, mas não percebeu que sua janela estava aberta, e um dia de chuva, pode tirar ventos vorazes, mas continuou a escrever com aquele vento moderno e sigilo, que ela não sentia saudade, até que um sopro moderno e que conspirava o mais apreensivo tempo avançado levou seu registro para fora daquela janela de seu apartamento número 33°, triste, refletia sobre sua escrivaninha.

Aquela senhora escritora sabia que os tempos modernos ainda ia arrancar seu melhor método de comunicação, assim como sugou o que um pouco importava, ela cita que o nosso mal é querer mais, reforçando que atualização da sociedade nos oprime e transforma nosso cérebro em grandes bolhas de ar, a solução é respirar, pensar no humano que vai reverter o imprevisível e configurá-lo, e caso o universo construa moradias enormes em marte daqui a um século, o tempo que “muda” dará a melhor resposta.

ME DIZ

Me diz porque
Me diz por onde
Me diz um dia
Me diz uma hora
Me diz que sua saudade ainda não acabou por mim
Que ela continua por mim
Que ela necessita de mim
Me diz algo que eu queira escutar
Mas, sem se aprofundar
Que o mar é perigoso
E pode nos frustrar

ICEBERG ( parte I )

Que estúpida, ó minha mente
Como foi capaz
Capaz de acertar logo
Logo em um pequeno pico de gelo
Se não tinha nem situação
Porque me fez pensar tanto na mesma coisa ?
Preferia pensar que estava a efeitos de LSD
A dizer que o CD que passa hoje em minha mente é você
CD arranhado, quebrado, esculachado.
Que só presta para os tristes pensamentos
Que eu deixei em 2019
Que a garota negra não deu sorte
E que me afundou no olhar
No desejar
E no pensar
Sem medo hoje, eu supero
Com gosto, mudei
Chorei
Sofri
Mais nenhum momento menti
Nem fingi
Difícil acreditar, que um sonho
Se tornou meu desespero
E se o ICEBERG descongelar
Matheus volta a afundar…

ICEBERG ( parte II )

Matheus sabe nadar
E não apenas chorar
Nada em mar de lágrimas
E colheu tuas migalhas
Com certeza foi duro
Mas foi libertador
Me livrei de você para sempre
E no próximo ICEBERG
Que você estiver
Bala perdida vai ter
Bala de sentimentos
De tão fraudulentos
Que matou
Sem um tostão

NEGO ME ILUDIU



Nego
Porque me iludisse
Nego
Eu não tinha pressa
Você não tinha escolha
Mas me iludiu
Quase me partiu
E de tanto que me feriu
Meu coração sorriu
Sorriu de dor
Dor por não ter sentido teus lábios
Ganhado teus amassos
Na verdade
Quero só um abraço
Se for pedir muito
Não rasgue mais um traço
Nessa história que tu foi inserido
Com certeza também partido
E não ferido
Porque era tua escolha
E não uma opção
Também desejo atenção
Para entender que não existe
Mais aquilo que a meses pensei
Eu desisti de você nego
Desisti de sua pele escura
De seu abraço acolhedor
E de seu olhar
Por meu bem-estar
Que todo dia volta a se recuperar
Por se fosse sempre você nego
Isso tudo não causaria medo!

NÃO É FÁCIL

Não é fácil eu sei
Não é para ser fácil
Apenas para servir como aprendizado
Para refletir se isso faz mais mal ou bem
Para te mostrar que as coisas têm duas
Perspectivas
E que nem tudo é flores e sorrisos
Mas é no seu balde de lágrimas
Que vem a superação
Ela vem sem contradição
Te deixando forte
E te preparando para próxima

A próxima que também não será fácil

MIGUEL NÃO TEM ESCOLHA

Ele morreu ontem
E hoje está indeciso
Céu ou inferno ?
Ele não tem escolha
Teve vida boa
Curtiu e feriu
Preferiu se matar
E para o inferno se jogar
Miguel trata isso como castigo
Eu como destino
Se não foi por miséria ânsia
De um corpo pecador
Miguel estaria nas nuvens
Sem precisar se preocupar
Em queimar
Em chorar…
MIGUEL NÃO TEM ESCOLHA
Feriu a todos e perdeu a santidade
Foi pro inferno por maldade
Castigado de verdade
Naquela paisagem profana
Ele não tinha escolha…